terça-feira, 13 de março de 2007

Jornais gratuitos ganham as ruas de Curitiba

Por: Lucimara de Souza e Lourival Reis


Ao lado dos grandes jornais comerciais de Curitiba, vêm se destacando os jornais gratuitos, que invadem transportes coletivos e escolas, conquistando a curiosidade e o reconhecimento do público.
Chega a Curitiba a tendência mundial de adesão aos tablóides gratuitos, que se desenvolveu principalmente na Espanha, França, Portugal e Inglaterra. A exemplo de Portugal e São Paulo, que lançou o Jornal Destak, Curitiba entra nessa onda com os jornais “Olá!” e “Ônibus”. De periodicidade semanal (terças e quintas-feiras), o “Olá!” tem dezesseis páginas e é inteiramente colorido. Moderno, de formato arrojado no design, o tablóide nasce por iniciativa e empreendedorismo de dois publicitários: Horácio Coutinho Jr. e Roberto Pinto da Silva Jr.
Segundo Coutinho, em meados de 2004, Roberto Silva, seu sócio, viajava pela a Europa em curso de especialização, quando tomou conhecimento de jornais gratuitos como o “Metro”, o “Metro Internacional”, o “Qué”, o “20 minutos”, entre outros. Encantado com a idéia, na volta ao Brasil e junto com Coutinho, inicia uma pesquisa sobre os jornais gratuitos no Brasil, que culminou com o lançamento do “Olá!”, em 01 dezembro de 2005.
Modelo tablóide americano (29 cm x 35 cm), embora tenha nascido tablóide convencional, o "Olá!" surge com esquema e diagrama de cores estudado segundo as leis e normas da publicidade, tendo design baseado no “Metro” londrino e redação jornalística baseada no “ 20 minutos " espanhol.
Houve muita dificuldade de mudança para o modelo americano, por conta de dificuldades técnicas das editoras, conta Coutinho. Por algum tempo, o jornal foi impresso em Joinville, depois “acerta-se” com a editora O Estado do Paraná.
Coutinho conta ainda que era necessário um nome de fácil memorização, que tornasse o jornal simpático ao exigente público curitibano e que facilitasse a abordagem dos promotores e distribuidores. Em uma reunião de “brain-storming”(tempestade de idéias), nasceu o nome “Olá!”. A estratégia deu certo.
Como bom marketeiro, brinca Coutinho: “todo planejamento tem três previsões – a otimista, a realista e a pessimista. Atualmente trabalhamos com a realista, e o jornal deve oferecer respostas financeiras positivas em 3 anos. Mas, hoje, após quase um ano, o jornal já conquista credibilidade e confiança do público que “pega” o jornal, quando antes era preciso oferecê-lo. Os promotores e distribuidores apenas têm que dizer: olá...” (sorri). Menos de um ano após o seu lançamento, os proprietários têm planos de aumentar a tiragem para 120.000 exemplares.
O "Olá!" nasceu com a intenção de ser distribuído em transporte coletivo e este é um dos motivos de ter sido lançado aqui em Curitiba, já que é considerada a cidade com o melhor transporte coletivo. Todavia, com a entrada no mercado do concorrente “Ônibus”, mudou seu foco para estudantes do ensino médio e universitários iniciantes, que, segundo Coutinho, respondem por cerca de 70% do conjunto de leitores com faixa etária entre 18 e 40 anos.
O jornal desde o seu lançamento desenvolve projetos voltados para a educação e informação para a população, conforme afirma Coutinho. Em 2006, por exemplo, o jornal firmou parceria com a Faculdade Santa Cruz disponibilizaram duas bolsas de estudos superior aos seus funcionários. Em decorrência do seu sexto mês de circulação o jornal fez um concurso cultural que contemplava o ganhador com uma Honda Biz.
Todo o projeto de desenvolvimento é próprio, mas também mantém parceria com a Folha Press e France Press. O jornal conta atualmente com 15 pontos de distribuição e mais de 40 promotores por dia para distribuir a tiragem semanal de 70 mil exemplares.
O perfil do público-alvo apresenta ainda as seguintes características: 69,7% com escolaridade média e superior; 87,7% de trabalhadores ativos e 64,3% de chefes de família. Segundo as pesquisas feitas pelo jornal, 79,3% lê todas as matérias.


* Reportagem publicada em 30 de novembro de 2006 no Palavra Digital - Jornal Laboratório Online da Unibrasil

sexta-feira, 2 de março de 2007

Projeto de incentivo à leitura “Sempre Um Papo” traz Fernando Morais à Curitiba

O escritor Fernando Morais visita Curitiba para o lançamento de “Montenegro: as Aventuras do Marechal que Fez uma Revolução nos Céus”

Por: Daniele Vieira Carneiro
Fotos: Lucimara de Souza




“Faz tempo que eu não venho à Curitiba para coisa séria. Pelo menos dez anos.” Foi assim que deu-se início à conversa descontraída com o escritor Fernando Morais na noite de quarta-feira, 29/11, no Teatro da Caixa Cultural. O escritor veio à convite do projeto “Sempre um Papo” de incentivo ao hábito da leitura, que proporciona a oportunidade de colocar o leitor cara a cara com seu escritor favorito, sem precisar pagar ingresso.

Fernando Morais veio à cidade para falar do seu mais recente livro “Montenegro: as Aventuras do Marechal que Fez uma Revolução nos Céus”, que é a biografia do marechal Casemiro Montenegro, piloto do primeiro vôo do Correio Aéreo Nacional, herói da aviação nos anos 30, preso em 1932, e inspirado no MIT [Massachussets Institute Of Technology], instituto tradicional de educação em áreas como ciência e tecnologia da cidade de Boston, nos Estados Unidos, viria a se tornar o criador do ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

O escritor descobriu a história de Casemiro há seis anos, na época em que estava escrevendo o livro “Corações Sujos”. Fernando Morais estava fora do país, quando recebeu por email a sugestão de um amigo de São Paulo para que fizesse a biografia de Casemiro Montenegro. Numa outra ocasião teve contato num elevador com a neta de seis anos de Casemiro que disse à ele que a avó ficaria muito feliz se ele escrevesse um livro sobre a história do avô. Morais resolveu pesquisar a história e se apaixonou. “O Montenegro é um Indiana Jones do nosso tempo” disse o escritor ao falar emocionado sobre o piloto. “Só tinha um jeito de descobrir o Brasil naquela época que era de avião. Desbravaram o Brasil a pretexto de levar correspondência. A justificativa era essa. Hoje sabe-se mais de Júpiter, de Marte e da Lua do que do centro-oeste da Amazônia”, completou Morais.




Sobre Casemiro Montenegro, Fernando Morais contou algumas curiosidades bem humoradas. O marechal Montenegro inspirou-se no MIT [Massachussets Institute Of Technology] para montar algo parecido no Brasil, que viria a ser o ITA, e exigiu que o arquiteto Oscar Niemeyer tocasse o projeto. O presidente Dutra [que governou entre 1946 e 1951] não aceitou, disse que no Brasil nenhum comunista faria uma obra desse tipo. Casemiro deu a idéia à Oscar Niemeyer para que ele arranjasse um amigo para assinar a planta, e assim tocaram a obra. “O presidente Dutra morreu sem saber que a fachada do ITA recendia à Marxismo e Leninismo”, riu Morais. Desse episódio existe inclusive uma foto onde o Presidente Dutra está posando em frente à fachada do ITA, sem imaginar que o prédio era projeto de Oscar Niemeyer.


Início de carreira

Fernando Morais nasceu em Mariana, Minas Gerais. Sua carreira começou a partir de um grave incidente religioso familiar. Mariana é uma cidade que tem dezenas de igrejas, e onde fica a sede da Cúria, e da Mitra Diocesana [órgãos da mais alta importância dentro da Igreja Católica], mas seu pai, um bancário funcionário do Banco da Lavoura de Minas Gerais [atual Banco Real] era ateu. Sustentava com enorme dificuldade nove filhos, mas mesmo assim conseguiu montar uma biblioteca com três mil volumes, e fez com que os filhos crescessem cercados por livros. “Na cidade só havia duas escolas de ensino médio, sendo que uma formava freiras e a outra era um seminário que formava padres”, ele conta. O pai de Fernando Morais então resolveu procurar uma escola para os filhos em Belo Horizonte.

Dom Oscar de Oliveira, o primeiro bispo negro do Brasil ficou sabendo que o pai de Fernando Morais havia matriculado seus dois filhos mais velhos numa escola protestante em Belo Horizonte. O bispo ficou possesso e não pode admitir que o homem que administrava o dinheiro da Cúria e da Mitra Diocesana fosse matricular os filhos num colégio protestante. Ele foi até a casa de Fernando Morais para brigar com o pai do menino que um dia viria a ser escritor. O pai não admitiu tamanho desaforo, até que ele e o bispo Dom Oscar de Oliveira saíram no braço, e acabaram se agredindo. O pai de Fernando Morais foi excomungado pela Igreja Católica. Mais adiante na história, quando Dom Paulo Evaristo Arns ficou sabendo que o pai de Fernando Morais estava vivo, porém já com a idade avançada, tentou reverter a situação, mas não conseguiu nenhum resultado.

Depois desse episódio da briga com o bispo, o pai de Fernando Morais foi transferido e a família mudou-se da cidade de Mariana para Belo Horizonte. “Foi por causa dessa briga do meu pai com o Bispo que eu fui parar no jornalismo, que eu virei escritor, e que estou aqui hoje, contando essa história para vocês. Eu poderia estar até hoje em Mariana sendo bancário”, brincou Morais.

Aos 13 anos o garotinho Fernando foi trabalhar como office-boy na redação da revista do banco onde o pai trabalhava. Ele reprovou um ano na escola, e o pai teve que matriculá-lo em uma escola particular. Mas com a condição de que ele teria que trabalhar para ajudar em casa, já que havia reprovado. Apesar disso, Fernando era um excelente aluno em Português, História e Geografia. Certa vez, o repórter Antônio Walter Nascimento faltou bem no dia em que iria entrevistar a Miss Banco da Lavoura. “Antônio Walter Nascimento é um desses nomes que a gente não esquece. Hoje em dia ele é psicoterapeuta”, enfatiza. Perguntaram para Fernando se ele gostaria de substituí-lo na entrevista. Como ele era garoto, na época era um sonho poder entrevistar a Miss Banco da Lavoura. Ele recebeu um aumento e a oportunidade de virar repórter aos 13 anos de idade. “Dormi office-boy e acordei repórter!”, finaliza.


A escolha dos personagens de suas biografias e a relação com o cinema


Fernando foi questionado sobre os critérios que o levaram a escolher a história de uma pessoa e transformar em biografia. Entre os biografados pelo escritor estão Olga Benário Prestes em “Olga”, Assis Chateubriand em “Chatô, O Rei do Brasil”, e “Na Toca dos Leões”, biografia da agência de publicidade W/Brasil, ele conta, “Eu tenho que pressupor que o leitor é tão ignorante como eu sou antes de conhecer a história desse personagem, e eu tenho que surpreendê-lo e emocioná-lo com a história”.

Desde 1996 Fernando está preparando a biografia do senador Antônio Carlos Magalhães. ACM chegou a dizer em entrevista para Marília Gabriela que o escritor está esperando que ele morra para então publicar a biografia. No “Sempre um Papo” que ocorreu em Brasília, ACM foi visto por uma pessoa da platéia logo que chegou, e oportunamente a pergunta dirigida a Fernando Morais foi sobre quando sairia a biografia de ACM. ACM voltou a repetir a brincadeira de que Fernando estava esperando o senador morrer para lançar a obra. Mas Fernando explicou que não lançará a biografia enquanto ACM estiver ativo. Se tivesse lançado a biografia a alguns anos, não teria incluído a morte prematura do filho de ACM, o deputado federal Luís Eduardo Magalhães em 1998, vítima de um ataque cardíaco, nem a denúncia de manipulação do painel eletrônico em 2000, e o fim da era de 16 anos sob o comando de ACM, com a vitória de Jaques Wagner, candidato do PT ao governo da Bahia em 2006.

Atualmente, Fernando Morais está preparando a biografia do escritor Paulo Coelho desde o nascimento até os seus 60 anos de idade: “Essa vai ser uma obra datada, se alguém depois quiser pegar dos 60 anos do Paulo Coelho até os 120 e fazer outra biografia, por mim tudo bem” disse bem-humorado o escritor.

Para Fernando Morais, os personagens mais importantes da história do Brasil são aqueles do fim da República Velha até o golpe de 64, e do fim da ditadura. “Esse é o Brasil mais saboroso que dá filme e que dá livro”. Segundo o escritor os livros-reportagens são aqueles que mais contém informação sobre a história recente do Brasil. “São histórias reais e brasileiras. Os livros jornalísticos, os livros de não-ficção, são interessantes fornecedores de argumento de histórias para o cinema nacional. E os cineastas estão procurando por elas. Já está tudo mastigadinho para o cinema”.

Seu livro “Olga” virou filme em 2004 pelas mãos do cineasta Jayme Monjardim. As filmagens de Chatô iniciaram-se em 1995, quando os direitos de filmagem foram adquiridos pelo ator Guilherme Fontes, mas logo foram interrompidas, por falta de recursos financeiros, além da desconfiança do governo sobre possíveis desvios de verba, mas Guilherme foi inocentado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Desde então o ator protagoniza uma novela à parte para a finalização do filme que supostamente teve suas filmagens encerradas em 2002. “Chatô vai sair” disse Fernando Morais sob risos da platéia.

Morais não chegou a participar da produção dos filmes baseados em seus livros, mas leu os tratamentos do roteiro para que não houvesse nenhum deslize histórico. Também fez workshops para que os atores pudessem se inteirar sobre que foi o Brasil na época da ditadura. Para escrever “Olga” o escritor foi até a Alemanha para conversar com os amigos da juventude de Olga Benário, já bem velhinhos, porém muito prestativos. Quando escreveu Chatô, ele ganhou uma bolsa de pesquisas da Unicamp que lhe deu direito à dois pesquisadores para ajudar na tarefa de levantar dados e informações sobre a vida de Assis Chateubriand. Em troca, ele fazia palestras para os alunos de jornalismo contando à quantas andava o seu livro.

“Na Toca dos Leões”, livro que segundo sua própria definição “era pra ser bem light, e virou um triller de horror”, é a biografia da agência W/Brasil. O livro estava sendo escrito quando o publicitário Washington Olivetto foi seqüestrado, e permaneceu como refém durante 53 dias num cubículo de três metros por um, em 2001.


Os problemas enfrentados durante a carreira: Censura e processo



Depois que voltou de Cuba com o livro “A Ilha – Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro” pronto para ser publicado, Fernando Morais teve que esperar até a poeira baixar. “Era um período muito barra-pesada”. Ele trouxe na bagagem vários slides de Cuba, mas como o livro não podia ser publicado, nem as fotos poderiam ser mostradas em público por conta das repreensões que poderia sofrer, ele fez uma apresentação dos slides na casa do jornalista Vladimir Herzog para sua esposa Clarice e os dois filhos.

O escritor está sendo processado há um ano e meio pelo deputado federal Ronaldo Caiado, por causa de um episódio narrado no livro “Na Toca dos Leões”, a biografia de uma das mais importantes agências de publicidade do país, a W/Brasil.

O trecho do livro se referia ao período em que Ronaldo Caiado foi candidato à Presidência da República em 1989, e queria a W/Brasil para produzir os anúncios de sua candidatura. Segundo o publicitário e sócio-fundador da empresa, Gabriel Zellmeister, Ronaldo Caiado contou que tinha um plano de acabar com a miséria do Brasil, que constava em adicionar um produto químico no tratamento de água que esterilizaria as mulheres do nordeste. Gabriel Zellmeister em entrevista a Fernando Morais contou esse episódio que foi publicado no livro. Ronaldo Caiado abriu processo contra Fernando Morais, Washington Olivetto e a Editora Planeta.

Por determinação do juiz da 7ª Vara Cível de Goiânia, Jeová Sardinha de Moraes, Fernando Morais não poderia se referir ao próprio livro e nem no assunto em público. Qualquer manifestação lhe custaria cinco mil reais de multa. O livro ficou quatro meses fora de circulação em mercado. O recolhimento de “Na Toca dos Leões” de todas as livrarias em território nacional causou grande repercussão e revolta no meio jornalístico. Ao final, a decisão que era favorável ao deputado Ronaldo Caiado, foi anulada pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Segundo Fernando Morais foi a primeira vez em que ele viu a A Fenaj e o Sindicato dos Patrões se unirem, para demonstrar sua repulsa ao ocorrido. Fernando Morais disse que a decisão atentava contra “o direito da sociedade de ser informada das coisas”.


Situação do mercado literário no Brasil e a Educação



O escritor foi questionado por alguns participantes do bate-papo sobre sua opinião à respeito do mercado literário no Brasil e sobre a alta porcentagem de crianças que não conseguem interpretar textos no ensino fundamental. “Enquanto não resolver a educação, sempre haverá patamares de leitura baixos”, afirmou. E foi adiante: “Não adianta investir em ensino superior se não resolver lá embaixo, no primário. Esse país não muda a cara que tem se não mudar a educação”, concluiu.

Sobre o mercado literário ele tem uma perspectiva otimista “É um bom sintoma o interesse das editoras européias pela produção brasileira”. O escritor experimentou o sucesso do livro “Olga” também fora do Brasil. A obra já foi publicada em 21 países.


Os planos para o futuro

Alguma personalidades encantam Fernando Morais e para elas ele já tem planos futuros de possíveis biografias. O primeiro nome citado durante o bate-papo foi o do escritor Guimarães Rosa. Ele disse que já tem algumas idéias em relação à Rosa.

Mais adiante afirmou que através das suas biografias, ele está “cercando” Getúlio Vargas. “Não existe uma grande biografia dele”. Logo a seguir contou sobre uma viagem que fez com a família aos Estados Unidos, em que levou a filha numa livraria para ver se tinha “Olga” [sabendo que teria]. Perguntou à vendedora onde ficava a prateleira de biografias, que lhe respondeu que o “andar” das biografias era o terceiro. Ao chegar ao andar indicado ele notou que haviam 19 biografias de autores diferentes da ex-primeira dama americana Jaqueline Kennedy. E uma biografia definitiva de Getúlio Vargas está faltando.

Fernando contou também do proposta irrecusável feita por Carlos Lacerda Neto, para que ele escrevesse em um único livro a biografia de Carlos Lacerda e Getúlio Vargas, os dois maiores antagonistas da história da política brasileira. Mas por não chegarem à uma decisão por qual editora optar [Neto queria que a biografia saísse pela Editora Nova Fronteira pertencente à sua família, e Morais não queria deixar a Companhia das Letras], o projeto por enquanto permanece no papel para o futuro, que tomara, não esteja muito distante, para o enriquecimento da literatura brasileira, dom este que parece ser tão natural em Fernando Morais. “Cria-se naturezas ao longo da vida. Não estou com 60 anos à toa, criei minha própria natureza”, conclui.


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Essa matéria deveria ter sido publicada no Palavra Digital na última edição do ano [Novembro/2006], mas devido à demanda de atividades que designaram à nossa professora daquele período, a matéria nunca foi lançada on-line.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Um fanático paranista





Um convicto apaixonado
Lucimara de Souza


Enquanto muitos para encontrá-lo procuram nas listas de profissionais da saúde, outros apenas clicam em um botão no horário de almoço, para mais uma vez o ver defender as cores de uma grande paixão. O convicto apaixonado desta reportagem se chama Sérgio Roberto Bello, 32 anos, mas para muitos apenas ‘Sérgio-Paranista’ ou ‘Serjão’.
Durante muito tempo um uniforme branco fez ficar no guarda-roupa as cores da alegria, vibração e lágrimas: vermelho, azul e branco, mas apenas não estavam no corpo, porque continuavam na mente e no coração. Para muita gente é apenas um fisioterapeuta que vem para ajudar a amenizar as suas dores e problemas físicos, mas para outros, é aquele que vem trazer alegria nas vitórias, injeção de ânimo nas derrotas e brigar por uma causa comum.
“Sou maluco por futebol, desde que nasci”, ele se auto descreve. Sérgio afirma que desde muito pequeno o futebol atraía a sua atenção e que isso surgiu espontaneamente, “meu pai gostava de futebol, mas não era fanático como eu”. De sua infância tem muitas recordações e conta: “sempre gostei de futebol de todos os jeitos e por isso tinha coleção de times de botão. Um dia, quando tinha entre 8 e 9 anos, estava brincando com um colega na cozinha da minha casa e coloquei um monte de fósforo em volta do campo, quando o meu time foi entrar para jogar acendi um deles e todos os outros foram acendendo gradativamente, quase coloquei fogo na minha casa. Minha mãe ficou maluca, levei uma baita surra”, conta ele entre risos.
Apesar de toda a sua paixão pelo esporte não quis fazer carreira como jogador. O motivo? “o meu porte físico não me permitiu”, diz ele que em 1997 se formou em fisioterapia pela Universidade Tuiuti da Paraná. Ao longo dos anos construiu a sua vida profissional e pessoal. Casou-se e recentemente teve a felicidade de ser pai, mas faz uma declaração, “não sei do que gosto mais, mas acho que na escala ficaria a Rita,minha esposa, o Ricardo, meu filho e o Paraná, mas não tenho certeza se não é o inverso”.Quando perguntado sobre a possibilidade de o seu filho não ser paranista ele afirma que “ele não tem escolha, ou é paranista ou é paranista. Não consigo sequer pensar na possibilidade de ele escolher outro time”.
Sergio continua estudando, está no 5º período de jornalismo na UniBrasil e afirma que os seus sonhos estão se realizando e que apesar de ser um futuro jornalista tem certeza que ficará para sempre carimbado como paranista. Ele diz que começou a fazer o curso pelo Paraná Futebol Clube, pois o Coritiba e o Atlético têm muitos representantes na mídia, enquanto o seu time estava mal representado. Apesar estar diariamente no segundo maior canal de televisão do estado, o Grupo Paulo Pimentel, o que mais lhe trouxe satisfação foi ser convidado para escrever uma coluna sobre o time no jornal Tribuna do Paraná. Ele afirma que “muitas pessoas falam que o jornal é sangrento, mas é o que tem o melhor caderno de esportes do estado”.
Ele comenta que é bom ser reconhecido por sua atuação, “quando chego nos estádios sou rodeado por quem me assiste, todos querem fotos e autógrafos. Já teve até casos de crianças chorarem ao me ver, lógico, fico emocionado com isso”, mas reconhece que tem os seus prós e contras. Recentemente teve que bloquear a sua conta em um site de relacionamentos, pois começaram a colocar mensagens que denegriam sua imagem perante a sua família, “já escreveram várias vezes dizendo que iam me matar, mas nunca liguei para isso, o problema foi quando começaram a dizer coisas que eu tinha certeza que não tinha feito”. Ele diz que por este motivo pode até estar atrás de outros torcedores fanáticos que, assim como ele, estão na mídia falando do mesmo time, mas que prefere se preservar, “se já é difícil ouvir quando a gente deve, imagine quando a gente é inocente”.
Com relação aos paranaenses não gostarem de campeonatos locais, ele diz que “é da cultura do povo, o pessoal de Curitiba torce pelos times daqui, mas do interior prefere e torcer pelos paulistas. Me lembro de um jogo que teve em Maringá entre o Paraná e um time de São Paulo, onde 99% dos torcedores de lá torciam contra o time do seu estado” e afirma que os seus conterrâneos apenas passarão a gostar de campeonatos locais quando os times da capital alcançarem sucesso igual ou superior ao dos paulistas e cariocas. O que ele aponta com pesar é que hoje os jogadores já não jogam por amor a camisa, mas sim ao dinheiro, “eles vão e ficam onde pagam mais”. Um caso recente e que ele cita é do jogador Leonardo, que até pouco tempo vestia a camisa tricolor e que foi vendido ao Flamengo e que em sua primeira entrevista coletiva disse que estava subindo na vida, Sérgio diz que vê o caso como uma traição aos torcedores do Paraná e o clube em si, que se dedicou ao atleta, “ele pode até ter recebido uma boa proposta, mas todos sabem que o time para o qual ele foi é conhecido por ser mal pagador, enquanto aqui ele sempre recebeu em dia”, diz ele com tristeza.
A nova geração de meninos e meninas não tem mais o mesmo amor e dedicação ao esporte quanto no seu tempo, “quando eu era pequeno colocávamos dois tijolos de trave e jogávamos futebol na calçada e no campinho de terra, hoje o computador substitui esta atividade. Sei que dá para jogar futebol online, mas acho que não é a mesma coisa”, analisa.
Ele se diz um crítico em relação a sua atuação no Tribuna no Esporte, “a minha esposa as vezes grava o programa e vejo que tenho melhorado, mas tenho muito o que aperfeiçoar”, diz ele que faz fonoaudiologia duas vezes por semana para melhorar a sua dicção. Seus planos para o futuro é se formar em comunicação social e ser contratado para o jornalismo esportivo impresso do veículo em que já atua. “Alguns dias atrás escrevi minha coluna no jornal. Fui ao jogo do Paraná e depois da partida fui cumprimentar os jogadores, quando lá cheguei o Caio Junior, técnico do time, disse que a leu e que ficou muito emocionado com o que eu tinha escrito. Ele disse que se o texto não fosse tão grande, teria lido aos jogares na concentração antes do jogo, nem preciso dizer que fiquei muito feliz, afinal ele comanda o time que amo”, disse orgulhoso.
Quando interrogado sobre a sua reação durante as partidas diz que não tem vergonha de dizer que chora, “sou um torcedor que sofre quando o meu time está perdendo e que fica feliz quando ele está ganhando”. Para finalizar ele contou que em sua lápide estará escrito “Um homem que viveu por amor a Rita, Ricardo e Paraná Clube”, mas quem sabe possa ser em outra ordem.
“Paraná és guerreiro valente
E do esporte a maior razão
Verdadeira alegria do povo
Paraná Clube do coração”.
(Trecho do Hino do Paraná Clube)

Apresentação

Olá!

A UniBrasil dispõe de um Jornal Laboratório destinado à publicação online das matérias produzidas pelos alunos do 4º período, o Palavra Digital. Atualmente somos alunos do 5º período. Tivemos nossas matérias publicadas no Palavra Digital durante o segundo semestre de 2006. Por motivos alheios à nossa vontade, como por exemplo a sobrecarga de tarefas sobre determinados professores, os nossos textos produzidos para a edição de final de ano não foram ao ar.

Então resolvemos montar esse blog com a proposta de reaproveitar os nossos textos não publicados no Palavra Digital, para que eles sejam lidos, vistos e comentados aqui nesse espaço de publicação. Dessa forma poderemos verificar onde erramos e acertamos, trocaremos experiências e abordagens, e poderemos entrar em contato com o trabalho de nossos colegas, que muitas vezes, acabam passando despercebidos pela pressão e velocidade do cotidiano na faculdade.

Além dos textos produzidos para a última edição de 2006 do Palavra Digital que não foi ao ar, publicaremos matérias produzidas para o jornal Capital da Notícia [que também é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil] e que foram "derrubadas" por outras.

Com toda essa troca de informação nos preparamos para o futuro, para o mercado de trabalho tão concorrido. Poderemos melhorar nossa escrita e cada um poderá desenvolver o seu próprio estilo, nessa profissão onde a prática é indispensável.

Então, vamos começar a publicar!